Comportamento

Entenda a diferença entre solitude e solidão

Vejo com frequência pessoas tratando de um modo equivocado quando vão se referir a solidão e solitude. Muitas pessoas confundem as duas coisas, outras acham ser a mesma coisa, e uma outra parte não faz a mínima ideia do que seria solitude – não quero descartar a hipótese de que você talvez já tenha ouvido isso com um outro nome. Sendo assim quero trazer um pouco de luz e tentar clarear nossa visão acerca desses dois aspectos que são de extrema importância.

Já ouvi muitas pessoas afirmarem que têm medo da solidão e como consequência desse medo infelizmente vivem uma vida em total dependência de outras pessoas. Quando me refiro à dependência não falo num sentido financeiro, mas, sim, em um sentido de sempre precisar de alguém para fazer algo. Eu conheço muitas pessoas que não fazem nada se não estiverem acompanhadas. Elas deixam de ir ao shopping, ao cinema, ao teatro, deixam de ir ao show que esperavam por tanto tempo por um simples motivo: não tem ninguém para acompanhá-las.

Isso é solidão, essa pessoa vive uma eterna solidão, mas não porque não tem ninguém ao redor dela, muito pelo contrário, mas porque ela vive um vazio internamente. É por isso que não é difícil encontrarmos pessoas que mesmo rodeadas de outras, ainda assim, bem lá no fundo, sentem-se sozinhas e na total dependência de outras pessoas.
Já em um outro sentido a solitude é o inverso da solidão, afinal, enquanto a solidão é um vazio do lado de dentro, a solitude é o interior preenchido. Não se trata de um lugar, é uma condição mental, um estado do coração. Não se refere a estar sozinho, aliás, eu posso estar num deserto durante muito tempo e mesmo assim nunca ter tido um momento de solitude, pois ela trata do interior.

Solitude é eu estar resolvido comigo mesmo, resolvido no meu interior.
Entretanto não há solitude se não houver silêncio. Já que o silêncio só as vezes implica em ausência de fala, porém ele sempre implica em ouvir. Lembre-se: abster-se de falar e não ouvir não é silêncio.

Sendo assim quero trazer dois passos para a prática da solitude:

1. Aproveite as pequenas solitudes que preenchem nosso dia;

Considere a solitude dos primeiros momentos da manhã, na cama, antes de a família acordar. Pense na solitude que advém de uma xícara de café, pela manhã. Podem existir diversos momentos de pausas e de descanso nos nossos dias, aproveite esses momentos, mesmo que seja apenas cinco ou dez minutos. Esses pequenos momentos podem nos fazer muito bem. Eu particularmente falando gosto muito de praticar logo quando acordo. Logo nos primeiros cinco ou dez minutos sentado na cama com a luz acessa. Esse tempo é muito importante pra mim. Gosto também de tomar café e almoçar muitas vezes sozinhos, pois nesses momentos consigo meditar bastante.

2. Podemos preparar um lugar silencioso.

Procure um cômodo da sua casa, pode ser o quarto, sala, banheiro. O ideal é que seja um lugar onde possa ficar sozinho e em silêncio. É importante também que listemos e verifiquemos aquilo que nos impede de ter esse tempo. Assim ficará mais fácil para nos programarmos e alinharmos esse tempo de solitude.
Para alguns o lugar ideal é um parque, uma chácara, etc. Quando passarmos a contemplarmos mais as coisas e meditarmos mais nelas, veremos que isso é de muita valia nos dias acelerados e “loucos”.

Sem sombras de dúvidas um tempo de solitude é o que falta para muitas pessoas hoje em dia. Não somente um tempo, mas, sim, uma prática referente a isso. Convido a cada um de vocês leitores a se desafiarem a isso. O que acham? Topam?

Obs: Quero ressaltar a importância do equilíbrio em todas as nossas atitudes e posicionamentos. Vivemos em uma geração desequilibrada que temos a tendência de ser dependentes demais ou então independentes demais das pessoas. Finalizo meu texto e deixo para meditação pra vocês a frase do escritor alemão Dietrich Bonhoeffer que trata bem sobre o que estamos falando.
Àquele que não consegue ficar sozinho, que tome cuidado com a comunidade. Àquele que não está em uma vida de comunidade, que tome cuidado ao ficar sozinho. Cada situação apresenta ciladas e riscos profundos. Aquele que deseja comunhão sem solitude mergulha num vazio de palavras e sentimentos, e aquele que procura a solitude sem a comunhão perece no abismo da vaidade, do narcisismo e do desespero.

Lembre-se: EQUILÍBRIO SEMPRE!

Pô, deixa um comentário aqui...