Intelectual

Você sabe o que é Anglicismo?

No seu vocabulário existem várias palavras e, com certeza, algumas delas não fazem parte do nosso idioma padrão. Você sabe o por que disso? Anglicismo.

A cada semestre na faculdade eu preciso fazer um trabalho que recebe o nome de PEGProjeto experimental de grupo – e apresentá-lo para os alunos, professores e convidados. No primeiro semestre deste ano eu e o meu grupo decidimos então trabalhar em cima do tema Anglicismo.

Angli… o quê? Anglicismo.

Sim, isso mesmo… anglicismo. Essa palavra tão estranha refere-se à influência que nosso idioma sofre pela língua inglesa. É mais ou menos o que acontece com o famoso estrangeirismo, porém ele [estrangeirismo] abrange outros idiomas, enquanto o anglicismo somente o inglês.

Eu particularmente amo a língua portuguesa, até por isso sou estudante de Letras, todavia não fazia ideia do quanto nós somos influenciados em nosso cotidiano pelos outros idiomas. Obviamente existem palavras e expressões que já se tornaram comuns, entretanto pesquisando e trabalhando nesse projeto fiquei mais espantado do que o comum, já que, inconscientemente adotamos palavras para nosso vocabulário, fazendo assim com que nem estejamos atentemos ao assunto.

Quero frisar que não sou contra o anglicismo ou até mesmo o estrangeirismo, desde que, ele não seja exageradamente usado, simplesmente para parecermos cool – olha ele aí. Acredito que tudo com uma certa moderação tenha o seu lugar.

Aqui no pátria amada, Brasil, uma das “soluções” para tentar resolver problemas, é criando algum tipo de lei, que nós sabemos bem não adiantar nada. Em 1999 nasceu o projeto da Lei Aldo Rebelo da Língua Portuguesa, que proíbe o uso de palavras estrangeiras “no ensino, no trabalho; nas relações jurídicas (…) nos meios de comunicação em massa; na produção dos bens, produtos e serviços, na publicidade dos bens, produtos e serviço”.

Lei Aldo Rebelo da Língua Portuguesa

Um absurdo, né?

Mas venhamos e convenhamos, aprovada essa lei o que acontecerá? Nada! Absolutamente nada…

Do mesmo modo que a lei do vereador Carioca, Pedro Porfírio, sancionada pelo prefeito César Maia, que previa a aplicação de multa diária de mais de cinquenta reais a comerciantes que cometessem “erros de português” em textos expostos ao público – nos letreiros de lojas, fachadas, vitrines, cardápios, etc.

Um absurdo, parte dois, né?

A ideia caiu no esquecimento, óbvio. Sendo bem sincero é o que de melhor pode acontecer também com a ideia tosca proposta por Aldo Rebelo. Não seria mais fácil ao invés de propor uma lei esdrúxula dessa, propor uma melhor educação e incentivo à leitura? Acredito ser muito mais eficaz encontrar formas de valorização do nosso idioma para que cada vez mais decida-se usar menos palavras estrangeiras do que perder tempo com essas proposições sem sentido.

Voltemos ao assunto que nos interessa nesse artigo: O uso do inglês diariamente em detrimento da língua portuguesa. Poderíamos facilmente separarmos três grupos em que essas palavras se encontram.

Primeiro: Palavras que existem em nosso idioma, mas preferimos utilizar em inglês;

Nós temos um idioma muito vasto em suas palavras, tão vasto que nem nós mesmos, os brasileiros, conhecemos todas elas. Por que preferimos utilizar hot dog a cachorro-quente? Isso deixa-me intrigado de verdade. Será que “melhor amigo” não é melhor que best friend? Por que coffee break?

As pessoas utilizam de expressões em inglês simplesmente para parecerem mais interessantes, ou na moda. Não é brother? Alguns comerciantes julgam ser mais atrativo e convidativas expressões em inglês. A verdade é uma, os brasileiros não sabem muito bem escrever em português, mas toda moda que vem da “gringa” estamos aderindo. Que tal darmos um stop?

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Segundo: Palavras que nós aportuguesamos;

A tendência é mais forte que nós, meros brasileiros; assim sendo, vamos adotar e aportuguesar algumas palavras para facilitar a fala e escrita do povo. Que tal começarmos pela palavra delete? Aqui ela virou até verbo: Eu deleto, tu deletas, ele deleta…

Link, post, tweet, todas essas surfam na mesma onda do delete.

Afinal: “Oh, Rached, você já postou o texto de hoje no site da Fábrica de Mentes?

Que coisa não… Qual será a próxima palavra que aportuguesaremos?

delete

Terceiro: Palavras que nós utilizamos porque não há nada que traduz de fato em nosso idioma aquilo que a palavra inglesa quer dizer;

E por último temos em nosso vasto vocabulário palavras que não há traduções para tal. Então sinto-me livre para utilizá-las sem pudor nenhum. Ou chamaremos o mouse de “rato com fio”? Skate de “madeira com rodinhas”? ou numa última instância o que falaremos para: check-in e check-out?

mouse-2

Já pensou em chamar banner de outra coisa? Que coisa não, já dizia o Chaves.

É meu povo brasileiro, em que nível chegaremos eu não sei. O que eu sei é que a proliferação da língua inglesa em nossa cultura está mais viva do que nunca. Sei também que deveríamos utilizar palavras em inglês sim, óbvio, mas não ao ponto de perdemos nossa essência e cultura. Sim, talvez seja birra minha, mero estudante de português, mas fazer o quê?

Nossa timeline e sociedade estão bombardeadas de anglicismo. Ainda bem que não uso isso. Aliás, sou brasileiro fulltime!

 

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