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Um desabafo sincero sobre a cidade de São Paulo!

Você conhece os charmes da cidade de São Paulo? Esse texto sincero retrata a terra da garoa.

Quando criança havia em mim uma aversão à cidade de São Paulo muito grande. Nascido e criado no ABC paulista, quase não visitava os parentes que moravam lá por essas bandas longínquas. Não é à toa que os paulistanos afirmam que nós, meros moradores das cidades de São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Santo André, estamos no interior. Se não bastasse meu desgosto, o fato de meu pai levar eu e minhas irmãs frequentemente, fazia com que o ódio aumentasse. Afinal, para o meu pai era muito mais em conta comprar algumas coisas por lá, aliás, a variedade também era maior. Isso há mais ou menos quinze anos.

Meu terror por frequentar São Paulo tinha vários aspectos que, ao meu ponto de vista naquele momento fazia com que não houvesse nenhuma apreciação por aquela selva de concreto. Há quantidade de pessoas que passam aceleradas por aquele lugar é incontável. É um corre-corre pra lá, outro corre-corre pra cá; e, eu pobre menino que, precisava segurar nas mãos do meu pai para não me sentir (ou ficar) perdido, sentia-me totalmente amedrontado. Na minha mente eu sempre perguntava o porquê meu pai gostava daquele inferno, e não, isso não é uma analogia ao calor infernal que se faz em dia de verão. Me sentia ameaçado pelos inúmeros moradores de ruas que ali estavam. Dom Pedro, Brás, São Bento, Viaduto do Chá, Catedral da Sé, Galeria do Rock, 25 de março, etc. Eu queria morrer a estar ali. O cheiro era horrível, era não, pois ainda é, infelizmente. Quando cresci um pouco e tive a oportunidade de recusar todos os pedidos do meu pai, assim o fiz. Frequente em meus lábios pronunciava a palavra “não” quando ouvia o nome São Paulo. Afinal, o que tem de legal em lugares onde vê-se mais pichações do que tudo?

Entretanto é difícil admitir, mas meu pai estava certo. Não sei explicar… Mas estava. Cresci, passei a adolescência e agora, sim, preciso admitir: eu gosto de São Paulo. Okay, eu amo São Paulo. Eu sei que poucas coisas mudaram, na verdade, quase nada mudou. Tudo continua igual. As pichações ainda estão bem vivas, os moradores de rua ainda estão ali, jogados no chão, pedindo esmolas e comida. O cheiro não ficou mais agradável. O fluxo de pessoas? Esse com certeza te digo que aumentou. A gritaria continua a mesma, o barulho continua o mesmo, o sol infernal em dias de verão também. Nada mudou, e não sei te dizer se isso é bom ou ruim. Apenas continua igual. O que mudou foi minha visão acerca da sociedade e acerca de muitas coisas em que eu odiava, mas hoje admiro.

Lembra que escrevi aqui na Fábrica de Mentes que tudo muda? E que por muitas vezes me dei ao luxo de mudar e trocar de opinião? Pois bem, esse é mais um texto sobre essas mudanças. Continuo não gostando de lugares lotados, embora goste de pessoas. Paradoxo? Não sei, e sendo bem sincero, também não quero descobrir. A arquitetura clássica de São Paulo me encanta. Seja a Igreja da Catedral da Sé, o Teatro Municipal, os correios, CCBB, aquela parte do centro antigo de SP com certeza traz-me um vislumbre. Atualmente gostaria de estudar por lá, assim como estudei dois anos da minha vida, gostaria de ter tempo para visitas mais frequentes, gostaria de ter feito mais amizades com pessoas residentes na loucura paulistana. Os sebos, os lugares para se comprar livros, cd’s, as exposições de grandes artistas, sejam eles escritores, pintores, músicos, são enormes.

Há uma variedade de lugares por lá que jamais encontraríamos por aqui. O que dizer da Casa das Rosas? Museu do Ipiranga? Ou então do nosso extinto Museu da Língua portuguesa?

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Acho que a cidade já acostumou a ser odiada e depois amada. Não descartando a hipótese de ter aprendido também a ser amada e depois odiada. O contraste de arquitetura moderna com arquitetura antiga é de realmente fazer meus os olhos brilharem.

Por esses dias servi de guia turístico a dois amigos que vieram passar uns dias por aqui. Eles são goianos! Um nunca tinha visitado aqui, senão pela sua mente enquanto ouvia Racionais Mc’s. Já o outro passou por aqui rapidamente, sem muito tempo para conhecer a cidade. Estavam empolgados, já que, aqui existem muitas coisas que não existem em outros lugares do país, por mais absurdo que pareça. Ficaram a todo momento embasbacado com a nossa querida cidade, e com tudo aquilo que ela pode nos proporcionar. Seja de bom ou de ruim. Tudo foi uma diversão, até mesmo pegar metrô lotado.

Sabe aquelas maquininhas de livros existentes nas rodoviárias? Pois bem, não existe isso no ABC e muito menos em Goiânia. Deixa eu abrir um parêntese para falar sobre isso, pois foi a melhor coisa que inventaram nos últimos anos. A pessoa que teve essa ideia merecia um prêmio. Fiquei feliz de ver a felicidade dos meus amigos em estarem aqui.

Eu sei que talvez você diga que tudo isso se deu, pelo simples fato, deles serem turistas. Sim, eu sou obrigado a concordar contigo nisso, já que, acostumamos e temos a tendência de desvalorizarmos o lugar onde moramos e estamos; porém tudo isso fez com que, mais uma vez algo em mim mudasse, e enxergasse tudo diferente. Não quero acostumar, não quero me dar o luxo de afirmar que já vi esse ou aquele lugar. Meus amigos foram embora e conservei em mim a alegria que eles tiveram quando esteve aqui. Anseio em preservar um olhar apaixonado por cada lugar que passar, seja pela primeira vez ou milésima.

Fico feliz de ir a São Paulo, fico mais feliz quando volto a São Bernardo. Aqui tudo é mais tranquilo e sereno. São Bernardo é minha residência, sou casado com essa cidade, entretanto, tenho São Paulo como amante.

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